O que pode um corpo?

Galeria dconcept (clique aqui para acessar a exposição no site da galeria)

25.10.2008 | 22.11.2008

Depois de subverter os cânones do monumento com esculturas que representam pessoas anônimas, possuem menos de 20 cm e perecem minutos depois, a artista plástica Néle Azevedo indaga as possibilidades do corpo, numa referência ao filósofo Espinosa: “Não sabemos ainda o que pode um corpo”. 

 

Em comum com o “Monumento Mínimo”, o novo trabalho tem a transparência da resina e a capacidade de sensibilizar o espectador ao fazê-lo defrontar-se com sua própria realidade.  Se nas intervenções urbanas com esculturas em gelo, os transeuntes distraídos eram surpreendidos por uma exposição nua e crua da ação do tempo, na mostra O que pode um corpo?, visitantes voluntários deparam-se com a sua realidade física individual refletida nas superfícies de acrílico que cobrem os desenhos.

  

O que pode o corpo de cada espectador diante da própria imagem, enquanto observa os corpos em resina? O que poderão, onde quer que estejam, esses corpos anônimos capturados pelo olhar da artista e agora transformados em objeto artístico?

 

Caso existam respostas a essas perguntas, elas só podem ser encontradas no silêncio interno de cada espectador. Para Néle, indagar sobre as possibilidades dos corpos significa revisitar o percurso feito desde as esculturas em ferro até a dissolução do corpo no gelo, buscando uma nova forma de entendê-lo. Por isso escolheu o espaço intimista, com apenas 14m², da d’concept.

 

 

Sylvia Leite

Jornalista e doutoranda em Filosofia pela USP

fotos

Mostrar Mais

texto de Paulo Matsushita

Mostrar Mais