Tu pisavas nos astros distraída

Projeto Tripé | SESC Pompéia

05.02.2008

Néle Azevedo

Publicado no catálogo Tripe/2007 do Sesc Pompéia, São Paulo, 04.2008

Durante um longo tempo trabalhei com a idéia do Mínimo como escala, construindo Monumentos Mínimos em gelo que, além de pequenos, desapareciam. Num segundo momento, acumulava o Mínimo em grande quantidade nos espaços urbanos - a sua multiplicação  alcançava uma escala grandiosa. Nem por isso os Monumentos deixavam de ser Mínimos.

 

Compreendi que o Mínimo busca o essencial: não está mais, necessariamente ligado à escala, mas a uma procura de precisão, de economia, de síntese poética.

 

É nessa busca de precisão e síntese que me interessei pelo espaço arquitetônico do hall do teatro do Sesc Pompéia, lugar que abriga o projeto Tripé. Para intervir no espaço urbano ou arquitetônico, é preciso antes, de algum modo, habitá-lo. Esse habitar trouxe-me "Tu pisavas nos astros distraída”.

 

O hall é um lugar de passagem, de espera. Os materiais de sua arquitetura são orgânicos  e revelados: as paredes em tijolos vermelhos e em concreto, o chão em pedras e o teto em madeira e vidro por onde entra a luz.

 

Essa transparência luminosa mais a lembrança dos versos da canção “Chão de Estrelas” (de autoria de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas) levaram-me a construir a passagem/metáfora entre as duas instâncias: o teto de vidro e o chão de pedras.

 

A imagem construída do teto é colocada no chão criando uma passarela de 51 metros (daí a sua escala não ser mínima) que se estende por todo o hall como passagem entre o que está em cima e o que está embaixo. 

 

Essa passagem é uma região topológica: há uma linha, um desfiladeiro frágil que o homem percorre e ali habita o poema, a linguagem, o símbolo.

 

 

Ficha técnica:

Título: Tu pisavas nos astros distraída

Artista: Néle Azevedo

Fotografia adesivada no chão

Dimensão:  51m x 1m

Fotografias:  Flamínio Jallageas, Mônica Rubinho e Néle Azevedo

Tratamento de imagem: Flamínio Jallageas