Texto escrito  para a FSP

Monumento Mínimo

Néle Azevedo

12.2009

"Posso lhe dizer que a minha experiência com este trabalho do Monumento Mínimo não é repetitiva, fico capturada junto com todos. Cada espaço específico exige um desafio também específico.

Surpreendi-me que mesmo fazendo uma montagem para ser fotografada a experiência é parecida com as intervenções públicas – algo me escapa, é intangível –, assim, apesar de o gelo derreter num tempo cronológico, a experiência do derretimento suspende o tempo linear e naquele momento só existe esse movimento da desaparição. Nem me dei conta, por exemplo, que você estava filmando.

Ao final, apenas as escadas molhadas. Parece que foi um sonho distante que preciso novamente alcançar para compreender. Deve ser por isso que volto a fazê-lo muitas vezes numa tentativa drummoniana de me contar.

Há ainda outra questão que está dada ao nosso tempo que é a questão do aquecimento global. Ela agregou outro significado ao trabalho, funcionando como uma metáfora da possibilidade do nosso desaparecimento."